O que é e-sport? Ele é esporte?

Uma das coisas que coloca o Bitcoin como uma grande conquista da humanidade, foi sua ascensão orgânica e aceitação, também orgânica, da sociedade sobre esta tecnologia. Muitos economistas já fizeram boas considerações sobre o dinheiro, mas as melhores contribuições são claras: dinheiro não é algo que surge de um “contrato social” dado pelo estado, como se ele fosse imposto e então aceito. Na verdade, o dinheiro emerge das relações comerciais por sua utilidade e seu grau de “permutabilidade” entre diversos recursos.

Quem melhor explicou isso foi Ludwig von Mises, em sua obra The Theory of Money and Credit, onde ele demonstra que o dinheiro, primeiramente, era um recurso com outras utilidades – como o ouro sendo usado por questões de estética, por exemplo – e, depois, foi conferido a ele, dado práticas comerciais voluntárias, a função de dinheiro. Isso consegue responder a circularidade que seria admitir que “o que confere caráter de dinheiro a um recurso, é ele ter sido determinado como dinheiro por ter a função de dinheiro”. Claro, infelizmente o estado rogou para si o monopólio da emissão monetária, após perceber a utilidade do dinheiro.

Este resumo sobre como surge o dinheiro é extremamente necessário, pois as criptomoedas seguiram pelo mesmo caminho. Primeiro há uma oferta do ecossistema onde, nesta oferta, demonstra-se algumas soluções a problemas que o ofertante está buscando resolver – bem expressado pelo white papper. Depois disso, as pessoas adotam o recurso para utilidades específicas que, com a prática, leva ao aumento da comunidade. Após isso, seguindo a lógica de Jean Baptiste-Say, novos mercados são constituídos. Então novas tecnologias são desenvolvidas, juntamente com a comunidade. Termos, como são compreendidos certos aspectos, principal utilidade, métodos de segurança e muito mais, são questões que a comunidade determina organicamente.

Com a comunidade formada e crescendo a cada dia, projetos acabam sendo desenvolvidos na busca de demonstrar mais eficiência na solução de problemas. Isso leva o aumento de oportunidades de muitas pessoas melhorarem sua situação econômicas. Seja por conseguirem renda na troca de serviços como, por exemplo, programadores, seja por por conseguirem renda por ofertarem entretenimento, como no caso de jogos virtuais e blockchain games.

O entretenimento fornecido fica cada vez mais rigoroso e competitivo, isso leva a jogadores com grandes habilidades a se destacarem e, dado a oportunidade, começa a ser formado vários campeonatos, torneios e afins. A busca pela glória nestes cenários competitivos, forçam os jogadores a seguirem uma rotina de treino, tratamento nutricional e muitas outras coisas que um praticante profissional de esporte faria. Tudo isso faz com que esses jogos virtuais, muitas vezes, sejam considerados como esportes digitais, ou como se diz atualmente: E-sports.

Assim como competições e esportes surgiram de comunidades, o E-sport teve o mesmo processo. Analogamente, assim como o estado agora quer determinar o que é cripto, utility token e afins, ele quer determinar o que é esporte ou não. É aí que encontramos a fala de Ana Moser, atual ministra dos esportes aqui no Brasil, onde alegou que “E-sport não é esporte”.

Ignorando o mesmo processo que levou os “esportes atuais” a se tornarem esportes, ela simplesmente se coloca acima de várias comunidades e relações comerciais existentes para determinar que E-sport não é esporte. O melhor que ela poderia ter feito, é não se pronunciar sobre, ao invés de comentar este absurdo. Ainda que a política nada tenha feito pelo E-sport – e nem precisa fazer -, esse tipo de posição pode afetar investidores institucionais, levando uma queda no crescente mercado de E-sports, que já tirou muitas pessoas de situações econômicas desfavoráveis.

Portanto, de modo conclusivo, nós temos uma comunidade que não dependeu de investimentos públicos, mas mesmo assim cresceu e deu oportunidades aos seus participantes, sendo possivelmente prejudicada por políticos que querem determinar aquilo que organicamente já foi estabelecido: E-sports é esporte.

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