Por que as exchanges caem com a alta do Bitcoin?

Na última semana, o Bitcoin viu seu preço atingir a marca de US$42.000 para logo depois sofrer a maior perda diária de sua vida. Como resultado, as negociações do criptoativo foram às alturas. Com muitas negociações em jogo as exchanges passaram por certas instabilidades e a Coinbase foi uma delas. A principal exchange dos Estados Unidos está com um nível de negociações recordes, de acordo com Larry Cermak, diretor de pesquisa do The Block.

“A Coinbase registrou volume diário recorde ontem de US $9,56 bilhões. Só para ilustrar como essa quantidade é louca, é mais que o volume total do primeiro trimestre de 2019. Também maior do que o volume total de janeiro do ano passado”.

Contudo, essa não é a primeira vez que o Bitcoin e os demais ativos digitais passam por grandes picos de movimentação. Sendo assim, surge a questão:

Por que as exchanges continuam com essas instabilidades?

Em primeiro lugar, temos que apontar que os picos do Bitcoin são difíceis de prever. Conforme observado por Michael O’Rourke, CEO da Pocket Network, as corretoras buscam encontrar equilíbrio entre a demanda dos usuários e o potencial de seus servidores. Apesar de haver formas de proteção contra esses picos, atualmente, eles não são nada viáveis.

“Geralmente é sobre a escalabilidade da infraestrutura e a necessidade de escalar as coisas rapidamente. Não faz sentido para a Coinbase 10x seus custos de servidor tendo servidores parados para picos desconhecidos de demanda. A taxa em que as pessoas estão atualizando para comprar criptoativos é mais rápida que a física de ser capaz de ativar rapidamente os servidores [Amazon Web Services].

Não podemos esquecer de apontar o tempo de inatividade das exchanges. Em contrapartida com suas concorrentes do mercado tradicional, elas não tiveram tempo para resolverem seus problemas técnicos.

“As bolsas tradicionais permitem a negociação de 6 a 8 horas por dia, 5 dias por semana. Oferece uma janela de 16 horas por dia para fazer qualquer manutenção de infraestrutura técnica e 24 horas completas nos finais de semana. As criptomoedas geralmente operam 24 horas, 7 dias por semana, e é muito mais difícil manter esse sistema”, disse Dmytro Volkov, CTO da CEX.IO.

Por outro lado, outros serviços online, como a Netflix, por exemplo, não passam por essas instabilidades. Qual a diferença? De acordo com O’Rourke, essas grandes empresas não possuem as mesmas dificuldades, pois não estão mais em seus estágios iniciais. Ou seja, no início, todas passaram por momentos difíceis.

“Eles costumavam ter interrupções quando estavam crescendo. É mais fácil ter esse custo quando você tem bilhões de dólares. Eles também controlam seus ciclos de pico, por exemplo, quando a Netflix lança um novo programa de sucesso, eles podem se preparar. Nos criptoativos, ninguém sabe”.

Além disso, a Netflix consegue ter controle de seus pontos de pico. Dessa forma, pode preparar seus servidores com antecedência. Algo que ainda não é possível no mercado de criptoativos.

“É a mesma coisa que todas as maiores empresas do mundo podem fazer. Na verdade, trata-se de otimizar e localizar servidores para exatamente esse modelo de conteúdo necessário – seja solicitando dados de preços ou streaming de filmes – exatamente onde eles são necessários”.

 

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